segunda-feira, 20 de maio de 2013

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Postado por Carlos Jorge

Tainã dando as boas vindas aos visitantes do espaço ocupado.

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Postado por Carlos Jorge

Somos Tupinambás, resistentes indígenas, lutando pelos nossos direitos.

Xawã -

Tainã -


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Postado por Carlos Jorge

Somos Tupinambás, resistentes indígenas, lutando pelos nossos direitos.

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segunda-feira, 13 de maio de 2013

Índios ocupam o Passeio Público

Postado por Carlos Jorge


Em terra de branco, índio é índio! Para mostrar essa realidade e reivindicar seus direitos, um casal de Tupinambá, Rômulo Xauã e Tainá Andrade montaram o espaço cultural Xauã Tupinambá no Passeio Público, em pleno centro da cidade do Salvador. Lá estão mostrando a cultura, a luta e os problemas que o índio enfrenta. Segundo eles, o espaço é mantido com muito esforço, superando todas as dificuldades, inclusive as tentativas de “despejo”. “Deixamos de ser donos, para sermos invasores”, reclamam.
O espaço possui uma biblioteca, onde os dois arte educadores procuram chamar atenção da população que desconhece que os Tupinambás foram os primeiros habitantes de grande parte do litoral baiano, inclusive Salvador. Ocupamos uma pequena parte da Vila Velha de São Salvador onde habitaram os nossos antepassados e o grande objetivo é mostrar a situação do índio urbano, que teve suas terras ocupadas e foram deixados ao leu. Este espaço, é de memória viva. Estamos aqui, em pleno século XXI para mostrar que Salvador é de origem Tupinambá, afirmaram. E para marcar o Dia do Índio, hoje, dia 19, às 19 horas, estaremos exibindo no Largo Dois de Julho o documentário “As Caravelas Passam”. Em seguida, teremos discussão sobre preconceitos e direitos. Este é um movimento indígena que está tomando conta de todo o país", explicou.

 Entraves

"Estamos mostrando o que os museus não mostram. Não contam a nossa história. Não entendemos porque existe tanto entrave. Temos acervos e a Lei 11.645 que dá direito tanto aos indígenas quanto aos negros de contar a sua história. “Teoricamente, somos iguais perante a lei”. Mas, para um negro se declarar negro, basta apenas a sua declaração. Quer dizer: declaração própria. Já no caso do índio, ele precisa do aval do cacique. Aí pergunto: Por que essa diferença? E, não tenho resposta", contesta Tainá.
Para o antropólogo e coordenador da Associação Nacional de Ação Indigenista (Anaí), José Augusto Sampaio, a demarcação de terra indígena ainda é o grande problema brasileiro. Na Bahia, a situação é mais grave, já que o próprio governo entre 1976 e 1982 concedeu títulos a fazendeiros. No sul da Bahia, a batalha judicial para recuperar parte das terras indígenas durou 30 anos – indo de 1982 a 2012 – quando os índios tiveram o direito à demarcação. A grande maioria dos fazendeiros já deixaram as terras. Mas, ainda existem pendências.

Os Tupinambás de Olivença, por exemplo, ainda esperam pela titulação da terra há 4 anos. Até agora o Ministério da Justiça não titulou por pura pressão das bancadas ruralistas e do agronegócios. Na realidade, diz o antropólogo a temática indígena chega muito distorcida para a população.
O caso recente dos índios tupinambás que ocuparam o hotel de luxo Fazenda da Lagoa em Uma no sul da Bahia, é um exemplo: Os índios ocuparam o hotel, para chamar a atenção para o fato de que o ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, que é dono do hotel é também dono de vários outros empreendimentos que ocupam a área dos Tupinambás, embora o hotel não esteja ocupando área pertencente aos tupinambás.

Na realidade, diz o antropólogo, mais de 82% dos 20.789 índios do Estado não têm o território demarcado. Somente os kantaruré, pankararé e kiriri, que, juntos, somam uma população de 4.687 índios têm a situação regularizada. Estudiosos apontam que a situação mais difícil de ser resolvida está no sul e extremo sul da Bahia, onde terras reivindicadas pelos índios estão ocupadas por fazendas e empreendimentos turísticos. As pessoas que vivem nestas terras possuem títulos adquiridos ou doados pelo governo do Estado há mais de 50 anos.

“Só se enxerga o índio do Amazonas. Índio baiano, quase não se ouve falar. Há um processo de esquecimento que começa na escola, 0 Dia do Índio, quando se fala da figura exótica indígena, com penas e caras-pintadas, serve apenas para reforçar a figura folclórica, sendo que o índio está vivo e bem ao nosso lado passando por dificuldades desde que nasceu”, avalia o coordenador da Associação Nacional de Ação Indigenista (Anai), José Augusto Sampaio.

 A luta pela demarcação da terra

 No sul e extremo sul da Bahia eles estão divididos em dois povos: os pataxós hã-hã-hães, da Aldeia Caramuru-Catarina Paraguaçu, e os pataxós residentes em 22 aldeias da região do entorno do Monte Pascoal. No extremo sul, o problema dos pataxós é a não-aceitação pelos fazendeiros da região da nova demarcação da Aldeia de Barra Velha (que dos atuais 8.627 hectares passou para 52.748 hectares), de acordo com laudo da antropóloga Leila Sotto Maior, da Fundação Nacional do Índio (Funai), publicado no Diário Oficial da União e da Bahia.

Para a antropóloga Maria do Rosário, da Universidade Federal da Bahia (Ufba), o território pataxó deve ser contínuo, sem a divisão que há atualmente entre as aldeias de Barra Velha e Kay e Pequi. O chefe da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Itamaraju, Zezito Ferreira dos Santos, mais conhecido como Zezito Pataxó, é a favor da demarcação contínua e tem esperança de que assim será. “A demarcação da Raposa Serra do Sol nos deixou cheios de esperança. Temos fé que conseguiremos isso”, disse. Os hã-hã-hães buscam garantir os 54,1 mil hectares de seu território original. Na área, vivem as cinco etnias (kamakans, tupinambás, baenãs, hã-hã-hães e kiriri sapuiás), que formam o povo hã-hã-hãe.